Palácio do Raio – Um notável exemplo da Arquitetura Civil Barroca

Palácio do Raio – Um notável exemplo da Arquitetura Civil Barroca

Edifício singular de típica arquitetura barroca, este Palacete foi construído durante o reinado de D. João V, entre 1706 e 1750, por encomenda de José Duarte Faria, um Cavaleiro da Ordem de Cristo que era também um comerciante muito poderoso na cidade de Braga.

Em 1834, foi adquirido por Miguel José Raio, Primeiro Visconde de São Lázaro, que terá inspirado o nome de Palácio do Raio ou Casa do Mexicano, como também é conhecido. Por volta de 1863, Miguel José Raio conseguiu abrir uma rua à frente do Palácio, dando um novo traçado urbanístico nesta zona da cidade.

Este palácio é um dos mais notáveis edifícios de arquitetura civil barroca, em estilo joanino, com um projeto da autoria do Arquiteto Bracarense André Soares.

A nível decorativo destaca-se uma exuberante fachada com o portal profundamente recortado com um sumptuoso balcão de balaústres, flanqueado por duas esculturas decorativas, cuja padieira é monolítica. Tem uma cornija, excepcionalmente saliente, que é coroada por uma balaustrada com seis fogaréus chamejantes e quatro ânforas nos extremos, assim como, portas no prolongamento das quatro pilastras jónicas que enquadram, nos flancos o famoso alçado. O andar nobre é embelezado pelo desenho das molduras de granito lavrado e pelo recorte das varandas de ferro forjado.

Nos anos de 1869 e 1870, o palacete marcado por obras de requalificação e pela introdução de algumas alterações estilísticas, onde a fachada foi revestida a azulejo e inseriram-se dois quadros de inspiração setecentista e flamenga que apresentam paisagens bucólicas, apesar do edifício ter uma construção de granito. Também abriu-se um novo lanternim. No andar nobre, retiraram-se os tetos setecentistas e fizeram-se novos em estuque pintado com motivos néo-rocaille de decoração vitoriana.

Quanto à escadaria, é de dois lanços a partir do andar intermédio. As onze janelas divididas em dois pisos e os ornatos assimétricos, dão ao imóvel uma certa dinâmica e dramatismo muito comuns nas obras do Arquiteto André Soares.

No ano de 1884, o Palácio do Raio foi vendido à Santa Casa da Misericórdia de Braga e passou a integrar o Hospital de S. Marcos, administrado pela Instituição desde 1559, com um programa assistencialista. A aquisição deste edifício, bem localizado geograficamente, permitiu responder às crescentes necessidades do setor hospitalar.

Considerado de interesse público desde 1956 e à semelhança do restante complexo hospitalar de S.Marcos, este palácio passou para a tutela e administração do Estado Português no ano de 1974. Foi oficialmente devolvido à Santa Casa da Misericórdia de Braga em 28 de dezembro de 2012.

Neste momento, o Centro Interpretativo das Memórias da Misericórdia de Braga acolhe parte do valioso espólio desta instituição, composto por peças com alguns séculos, que testemunham mais de 500 anos da sua história. O seu acervo inclui peças de arte sacra, têxtil, pintura, escultura, ourivesaria, cerâmica, bem como objetos ligados à atividade desenvolvida pela Misericórdia na área da saúde, nomeadamente do Hospital de S. Marcos e da sua Farmácia. É complementado por um conjunto de documentos representativos da sua atividade ao longo do tempo.

Texto: Brian Cruz Costa
Fotografia: Palácio do Raio

 

Leave a Reply

Your email address will not be published.