Vencedor de vários prémios, entre os quais o Prémio Príncipe das Astúrias 2007, Amos Oz (nascido em 1939) é o escritor mais consagrado de Israel. E não sendo indiferente aos problemas do seu país, às dificuldades e sofrimento do seu povo, este autor reflecte essa preocupação nas suas obras. Escritas de uma forma apaixonante, muito humana e convincente, as histórias relatam a vida tal como ela é.
A Caixa Negra (1987) (1ª edição portuguesa:1990)
Um casal, como tanto outros, decide pôr fim ao casamento. Llana e Alex iniciam uma dura luta pelo filho. As divergências religiosas, culturais e políticas destas personagens fizeram com que houvesse, no mundo real, uma grande controvérsia em Israel. Mais uma vez, é neste país que toda a história se desenvolve. E por se tratar de um tema tão atual e tão real, o divórcio e luta pelo poder paternal, A Caixa Negra está cheia de sentimentos que nos tocam a todos nós, o ciúme, o anseio, o desapontamento, a tristeza…
Uma Pantera na Cave (1995) (1ª edição em Portugal, 1998)
Uma criança, de seu nome Profi, de apenas doze anos, que vive na época em que a Palestina é dirigida pelos britânicos, decide, com mais alguns amigos, lutar pela independência do seu país. Uma Pantera na Cave é a forma como se sente quando cria o grupo clandestino para fazer oposição ao regime. Tudo muda, ou talvez não, quando se torna amigo do “inimigo”, um sargento inglês, concluindo terem muitas coisas em comum. A história em torno desta amizade traz-nos à memória a famosa frase de “se não estás connosco estás contra nós”.
O Mesmo Mar (1999) (1ª edição portuguesa, 2004)
Em O Mesmo Mar, Amos Oz volta a falar daquilo que o coração sente, da situação do seu país, das relações humanas, de amores e desamores, das aventuras e desventuras, da solidão dos indivíduos como sendo o destino, como afirma uma das personagens, “a vida continua. E de uma maneira ou de outra todos acabamos por ficar sós”, o que pode acontecer a qualquer um. Entre a poesia e a prosa, este excelente romance transporta-nos para as vidas de Albert, o viúvo de Nadia e pai de Enrico, de Dita a jovem (ex)namorada de Rico, e de Bettine, amiga de Albert. A título de curiosidade, nesta história, há uma personagem de origem portuguesa, chamada Maria.
Texto: Telma Caixeirinho

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